Empresário suspeito de mandar matar membros do PCC é solto com tornozeleira

Antônio Vinicius Lopes Gritzbach é denunciado pelo Ministério Público por ser o mandante do assassinato de liderança do PCC

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade suspender a prisão preventiva e deixar em liberdade, com medidas cautelares alternativas, o empresário Antônio Vinicius Lopes Gritzbach (foto em destaque), suspeito de ser o mandante do assassinato de dois membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Com base na decisão, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou, na quarta-feira (7/7), que o empresário deixasse o sistema prisional, onde estava encarcerado preventivamente.

De acordo com alvará de soltura, Gritzbach usa tornozeleira eletrônica e também precisará seguir regras fora da cadeia por ainda ser processado pelo duplo assassinato.

O TJSP determinou ainda que ele preste contas mensalmente de suas atividades, não viaje, permaneça em casa no período noturno e em dias de folga. O passaporte do empresário também foi retido.

A desembargadora Ivana David, do TJSP, na manhã deste sábado (10/6), que, apesar da soltura, “nem de longe o acusado deixou de ser responsabilizado criminalmente.”

“É importante deixar claro. Não foi o TJ de São Paulo que fez isso [tomou a decisão de libertar o acusado]. O tribunal jamais daria essa liberdade para dois crimes hediondos, com pena de 12 a 30 anos cada um. O STJ entendeu que ele pode ficar aguardando o julgamento fora do sistema prisional. Mas que fique claro que ele não foi absolvido.”

Bitcoins

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Gritzbach teria mandado matar Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como Cara Preta, e Antônio Corona Neto, o Sem Sangue, motorista de Anselmo. Ambos eram membros do PCC, facção com a qual Gritzbach manteria negócios na área de bitcoins e criptomoedas.

O duplo homicídio ocorreu em 27 de dezembro de 2021 e teria sido cometido em parceria com o agente penitenciário David Moreira da Silva. Noé Alves Schaum, denunciado por ser o executor dos membros do PCC, foi assassinado em 16 de janeiro do ano passado. Ele teve a cabeça arrancada e jogada em uma praça no Tatuapé, na zona leste da capital paulista.

Lavagem de dinheiro e morte

Gritzbach, ainda de acordo com o MPSP, lavava dinheiro para Cara Preta usando operações com bitcoins e investimentos no ramo imobiliário. Após uma disputa entre os dois, em que Cara Preta estaria cobrando a devolução de valores, o empresário teria mandado matar o parceiro de negócios.

O empresário foi preso em 2 de fevereiro deste ano em um resort de luxo na Bahia. Em 1º de março, ele foi transferido para São Paulo. Na ocasião, uma força-tarefa com integrantes do Grupo Especial de Reação foi mobilizada para a transferência, com o objetivo de evitar uma tentativa de fuga e garantir a segurança da operação.

Gritzbach foi levado primeiramente ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no centro paulistano, para trâmites burocráticos, e, depois, transferido para a penitenciária de Tremembé, no interior, conhecida como “prisão dos famosos”. Nela estão encarcerados criminosos condenados por crimes de repercussão nacional.

Ainda em março, o empresário foi removido da P-2 de Tremembé, em que tinha condições melhores, para um presídio mais perigoso, controlado pelo PCC, no oeste paulista.

Em um pedido de habeas corpus, feito no fim de março, a defesa pediu que o empresário respondesse ao crime em liberdade, alegando que ele sofria ameaças de morte. Na ocasião, foi afirmado que Gritzbach é inocente e não teve envolvimento na morte dos criminosos.

Procurado neste sábado, o advogado Ivelson Salotto não havia dado retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

Empresário Paulista contrata Hacker para investigar traficantes do PCC

Um integrante do grupo Anonymous foi contratado por um megaempresário brasileiro para investigar uma rede de traficantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa é a primeira vez que se tem conhecimento desse tipo de investigação no país. As quebras de sigilo e interceptações clandestinas foram feitas por conta do envolvimento da mãe do empresário com traficantes da facção criminosa.

O empresário José Lemes Soares é um dos donos do grupo Andorinha e também aparece como sócio das empresas do conglomerado. A Viação Andorinha se tornou conhecida principalmente por conta da rede de ônibus que possui e tem até mesmo entre os sócios um integrante da família Constantino, proprietários da empresa Gol.

Verane Murad Lemes, mãe do empresário, é usuária de drogas desde os 15 anos e já passou por diversas clínicas. A decisão de Lemes de quebrar o sigilo da mãe e colocar escutas em casas onde moram integrantes do PCC ocorreu após ele ter desconfiado que havia um plano para matá-lo.

O hacker contratado foi apresentado ao empresário por meio de um colega russo que conheceu quando morava na Escócia, em uma das escolas frequentadas pelo príncipe da Arábia Saudita e pelo príncipe Charles, da Inglaterra. O integrante do grupo Anonymous, o qual atende por Sacha, trabalhou no serviço secreto da extinta União Soviética e hoje vende serviços de interceptação telefônica em aparelhos criptografados.

Segundo as investigações, o hacker cobrou U$$ 100 mil dólares pelo serviço. O custo real seria de U$$ 500 mil, cerca de R$ 2,5 milhões. O empresário conheceu o hacker pessoalmente em um encontro em um país estrangeiro e após explicar a história, o integrante do Anonymous decidiu reduzir o preço por conta da questão familiar e sua proximidade com o colega do empresário.

A Apple chega a oferecer U$$ 1 milhão, cerca de R$ 5 milhões a quem conseguir hackear um iphone.

Na investigação, José Lemes Soares explica que o contato com o hacker foi devido à proximidade de seu amigo com integrantes da família de Vladimir Putin, presidente da Rússia. Putin foi integrante da KGB, polícia secreta do período soviético. Durante o hackeamento, foi usado um programa israelense que somente é permitido compartilhamento com autoridades governamentais…

Para proteger a família, a investigação aponta que o empresário gastou cerca de R$ 1,7 milhão com o processo de espionagem, ajuda de policiais civis, seguranças e advogados. Com medo de retaliações, seguranças foram mandados para a casa das irmãs e do pai dele para proteger a família 24 horas por dia.

A identificação e rastreamento da localização de um dos traficantes levou a polícia a realizar uma operação no Jaguaré, na capital paulistana. Durante troca de tiros, o traficante foi morto pela Rota, tropa de elite da Polícia Militar.

Segundo o empresário, as interceptações mostram também que a mãe chegou a comprar a arma de uma traficante, que segundo o empresário, poderia ser usada para matar alguém da família. Uma ação da Polícia Civil conseguiu prender a traficante no instante em que ela saía de casa para entregar a pistola. Na casa da traficante, havia escutas colocadas clandestinamente pelos investigadores privados que mostravam até mesmo exploração sexual infantil.

De acordo com o empresário, ele pretendia interditar a mãe por conta do uso abusivo de drogas, que chegava a quase R$ 20 mil por mês. Em uma das interceptações, a mãe conversa com um traficante dizendo que ela “precisa armar contra ele”. A mãe responde “vou pensar, aí a gente chama os amigos”. Em uma troca de mensagens com outro traficante, a mãe diz que se a “protetiva não sair, vocês vão ajudar a matar meu filho”.

O processo também narra que Verane fez um boletim de ocorrência afirmando que teria sido agredida pelo filho. As escutas revelam que, na verdade, ela forjou as agressões com a ajuda de um segurança para justificar o boletim. Funcionários que trabalham para ela também foram coagidos a depor contra o empresário. O processo ainda corre na justiça. Outras gravações mostram que ela também forjaria as agressões contra outras filhas para não ser internada por conta do vício.

Depois que os traficantes souberam que o empresário os estava investigando, inclusive plantando escutas e monitorando com detetives a rotina deles, ele começou a ser ameaçado. Uma das interceptações mostra um integrante do PCC dizendo que vai matar o pai de José, as irmãs e ele. “O primeiro a subir vai ser o seu pai”.

As escutas revelam até mesmo que quando Verane foi internada, os traficantes chegaram a levar drogas para ela no hospital. A mãe dele negou as acusações de tentativa de homicídio contra o filho. Uma outra filha de Verane falou com a reportagem, mas disse que não iria se manifestar.

Suspeito de envolvimento na morte de chefe do PCC é solto

 

Pablo Henrique Borges saiu da cadeia nesta 6ª feira pela porta da frente

A Justiça libertou, nesta 6ª feira (15.fev), o investidor de criptomoedas Pablo Henrique Borges, suspeito de envolvimento na morte do chefe do tráfico de uma facção criminosa, o PCC.

Pablo foi solto por ordem da Justiça após ser apontado pelo Departamento de Homicídios como suspeito de ser mandante do assassinato de Anselmo Santa Fausta. O traficante do PCC e um comparsa foram mortos em dezembro do ano passado. O executor, Noé Alves, foi esquartejado dias depois pela facção criminosa. “Apresentamos petições com documentos que comprovam que o Pablo não tem nenhuma relação com os homicídios que são objeto do inquérito policial”, diz Conrado Almeida Corrêa Gontijo, advogado de Pablo.

Quatro anos atrás Pablo havia sido preso pelo desvio de R$400 milhões de contas bancárias. Ele foi acusado pelo DHPP de lavar dinheiro de criminosos e de ter ajudado o empresário Antônio Vinícius Gritzbach a matar Anselmo. Já o empresário Antonio Vinicius, também acusado de lavar dinheiro de traficantes da facção, vai continuar preso. Para o Ministério Público, existem indícios da participação dele na morte de Anselmo.

O depoimento de uma testemunha protegida revelou que no dia do crime o empresário buscou imagens de câmeras de segurança para monitorar a saída de Anselmo do prédio. O departamento de homicídios não quis comentar a libertação de Pablo. Ele não é mais citado na investigação. Nesta 6ª feira (25.fev), o delegado Fabio Baenna entregou um relatório à Justiça em que fala sobre um estudo em andamento que vai provar, por meio do sinal dos celulares dos suspeitos, onde eles estavam no dia do crime.

Suspeito de liderar ataques do PCC foge de prisão no RS

O homem suspeito de coordenar, nas ruas, os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) que paralisaram São Paulo em 2006 está solto. Carlos Antônio da Silva, o Balengo, de 29 anos, fugiu, no último dia 27, do presídio de regime semi-aberto para onde havia sido transferido horas antes. Único integrante do primeiro escalão da facção em liberdade, Balengo havia sido preso pela Polícia Federal na Operação Facção Toupeira, em setembro de 2006, quando 40 bandidos do PCC foram surpreendidos fazendo um túnel para furtar o Banrisul.

Balengo estava na penitenciária de segurança máxima de Charqueada, até que, por decisão da Vara das Execuções Criminais, foi transferido para um presídio de regime semi-aberto. Ele ficou apenas 12 horas no lugar e fugiu na quarta-feira da semana passada. Só ontem as autoridades de São Paulo receberam a confirmação oficial da fuga do líder do PCC, após um contato com a coordenadoria gaúcha dos presídios.

Em 2006, Balengo ficou preso na Penitenciária de Avaré, onde estavam então reunidos os integrantes da cúpula da facção, como Marco Herbas Camacho, o Marcola. A inteligência policial sabia que ele liderava grupos da facção na região de Monções, na zona sul de São Paulo, em Santa Cecília e Bom Retiro, ambos no centro, e na região de Santo André e São Bernardo do Campo.

?O Balengo tem poder de mando. Ele caiu em vários grampos dando ordens na facção?, afirmou o delegado do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Na época do ataques, Balengo foi apontado ainda como suspeito de participar do seqüestro de um jornalista da Rede Globo, Guilherme Portanova – ele negou esse crime ao ser interrogado pela polícia.

Pouco depois, ele se transformou em um dos líderes da maior quadrilha de ladrões do País, o bando de Antonio Jussivan Alves dos Santos, o Alemão – preso na semana passada pela PF. Responsável pelo furto de R$ 164 milhões do Banco Central, em Fortaleza, em 2005, o grupo preparava outro roubo quando foi desarticulado pela PF.

Polícia prende acusado de liderar bando do roubo de cargas

Fauze Youssef Skaff, apontado como chefe de uma quadrilha que faturou R$ 30 milhões com os assaltos, foi detido em Rio Preto

Fauze Youssef no momento em que foi detido, em loja de Rio Preto, cidade onde vivia como foragido (Divulgação PM)

Fauze Youssef no momento em que foi detido, em loja de Rio Preto, cidade onde vivia como foragido (Divulgação PM)

Uma operação conjunta da Polícia Militar de Minas Gerais e policiais do Caep (Companhia de Ações Especiais da Polícia Militar) prendeu, em Rio Preto, o empresário Fauze Youssef Skaff, 37 anos, apontado como líder de uma quadrilha especializada em roubo de cargas baseada no Triângulo Mineiro e com atuação em ao menos cinco Estados. Ele estava foragido da Justiça desde 2016. O prejuízo causado pelo bando chega a R$ 30 milhões.

Na tarde de quarta-feira, graças a informações dos serviços de inteligência da PM mineira, foi descoberto que Yousseff vivia escondido há meses em uma casa em Rio Preto. O empresário foi surpreendido pelos policiais do Caep quando fazia compra em uma loja na avenida Clovis Oger, próximo ao aeroporto. O sargento do Caep Milan Vavra afirma que o suspeito estava desacompanhado e desarmado.

“Ele não resistiu, mas não quis falar muito. Deu uma versão de que residia em São Paulo e estava só de passagem por Rio Preto, mas não acreditamos”, comenta o sargento.

Os policiais desconfiaram da versão de Yousseff porque o empresário teria aberto, há dois meses, uma loja de calçados no Calçadão, o que seria indício que ele vivia há mais tempo na cidade. Além disso, há suspeita de que o empresário tenha parentes aqui, porque ele nasceu em Rio Preto, mas depois a família foi para Uberlândia.

O Ministério Público de Minas Gerais acusa Yousseff dos crimes de sequestro, falsidade ideológica, cárcere privado e roubo de cargas e maquinários pesados. A quadrilha teria faturado R$ 30 milhões com as ações. Carregamentos de carne, café, remédios e eletrônicos eram os alvos dos criminosos.

O pai de Yousseff, o também empresário José Jorge Skaff, 53 anos, conhecido como Jorjão Corintiano, está preso desde 2016, acusado de receptação de mercadoria roubada. Há suspeita de ligação da quadrilha com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Para legalizar o lucro da venda dos produtos no mercado paralelo, a quadrilha teria montado empresas de fachada.

Durante as investigações da PF, foi descoberto que o empresário teria usado parte do dinheiro do crime numa extravagância: a compra de uma Lamborghini, por R$ 1,3 milhão, apreendida em São Paulo em novembro de 2015.

De Rio Preto, Yousseff foi transferido para o presídio Jacy de Assis, em Uberlândia, onde aguardará a data de seu julgamento.

 

Número de presos na Operação Facção Toupeira chega a 44

Os trabalhadores da Volkswagen em São Bernardo do Campo decidiram hoje voltar a trabalhar, approved prescription após a companhia cancelar as 1.800 cartas de demissão entregues na última semana, informaram a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Conforme a montadora, os trabalhadores aceitaram voltar ao trabalho diante do cancelamento das cartas e da volta à mesa de negociações. Os metalúrgicos paralisaram os trabalhos na última quarta-feira. A Volks quer reduzir a força de trabalho em São Bernardo em 3.600 postos, para cortar custos, e ameaça fechar a unidade caso não chegue a um acordo com os funcionários.

A fábrica Anchieta, em São Bernardo, é a primeira unidade da Volks no país e tem 12 mil empregados, 8 mil dos quais na produção. As cartas entregues pela montadora noti ficavam os trabalhadores de que seriam demitidos a partir de novembro, quando se encerra o acordo de estabilidade entre a Volks e os representantes da categoria.

A Operação Facção Toupeira da Polícia Federal (PF), stomach que tem por objetivo desmantelar a estrutura e a logística do PCC, prendeu desde sexta-feira 44 pessoas acusadas de ligação com a facção criminosa. A prisão mais recente ocorreu na manhã de hoje, quando o advogado Edson Campos, acusado de envolvimento com o PCC, foi detido numa casa em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

A prisão do advogado ocorreu por determinação da Justiça Federal. Realizada em oito estados, a operação cumpre 56 mandados de prisão. Neste final de semana, o Ministério da Justiça também informou que mais duas pessoas foram presas em São Paulo, acusadas de envolvimento no assalto ao Banco Central em Fortaleza, em agosto do ano passado.

A Polícia Federal estuda transferir cinco líderes do PCC capturados na operação para o presídio federal de segurança máxima de Catanduvas (PR). Presos no Rio Grande do Sul, São Paulo e Piauí, esses chefes só devem ser transferidos na próxima semana porque a PF quer encerrar antes a primeira parte do inquérito e ouvindo os criminosos capturados.